Eu sempre tive medo de mudanças. Desde que eu me lembro, qualquer grande alteração na minha vida me assustou. Fossem elas mudanças pequenas ou mudanças significativas, elas sempre deixavam alguma coisa em mim. Sempre houve essa parte de mim que tem pavor de deixar pra trás o confortável da certeza. Talvez seja covardia minha, mesmo. Difícil saber agora...
Mas o fato é que a gente não pode evitar que as coisas mudem. Se a gente quer evoluir, se queremos seguir em frente e atingir algum objetivo no futuro, não podemos ficar parados – isso não funciona. Então mesmo apavorada na maior parte das vezes, eu procuro enfrentar as mudanças que a vida coloca na minha frente de cabeça erguida – e, na maior parte das vezes, quando eu consigo enxergar a calmaria depois da tempestade, eu vejo que nem foi tão ruim assim...
Nos últimos meses, duas coisas grandes estão acontecendo na minha vida. A primeira, o motivo do meu silêncio por tanto tempo, foi uma mudança de casa. E, sim, pode parecer estupidez colocar esse tipo de mudança como algo que me assusta, mas é a mais pura verdade. Para mim, é uma sensação TERRÍVEL colocar toda a minha vida em caixas e, de uma hora para a outra, deixar o lugar onde durante quase sete anos eu vivi um pouco de tudo para ir para um lugar completamente diferente...
A sensação de sair de casa pra trabalhar naquele dia foi a mais estranha da minha vida. Eu parei no meio do meu quarto, que já estava cheio de caixas onde estavam todas as minhas coisas queridas e olhei em volta pela última vez. E vieram, então, todas as lembranças de uma vez só: foi ali que eu dormi a primeira noite depois de ter entrado na faculdade, foi ali que eu estudei e li e enrolei pras provas e trabalhos, foi ali que eu levei, pela primeira vez, amigas pra dormir em casa, foi ali que eu chorei lágrimas de tristeza e de alegria... Aconteceu tanta coisa naquele quarto, naquela casa... E eu sabia que, o momento em que eu pisasse porta a fora, eu nunca mais voltaria para aquele lugar... E, sim, foi doloroso...
E depois de trabalhar o dia todo, cheguei num lugar estranho – sim, estranho – onde sentei na minha própria cama e olhei para paredes que não eram as minhas... Coloquei minhas coisas no armário, organizei o que seria meu novo quarto e, o tempo todo, aquela sensação bizarra de estar no lugar errado, de estar de visita, sabe? O despertador tocava de manhã e quando eu abria os olhos, eu não via nada familiar...
Mas com o passar do tempo, foi tudo voltando ao normal. Ou, por mais estranho que pareça, foi tudo ficando melhor do que o normal. A casa nova é mais perto do trabalho, então facilitou – e muito – a minha vida. Meu quarto novo é menor, sim, mas por isso mesmo eu joguei fora um monte de tranqueiras que só serviam pra fazer bagunça e, nesse processo, encontrei coisas que eu não via há muito tempo. E o fato de não mais morar em um sobrado é muito mais agradável do que eu imaginei... Engraçado como, no fim das contas, a mudança que tanto me apavorou me faz absurdamente feliz... =-)
Mas a segunda grande mudança que eu estou enfrentando, ainda não aconteceu. É a partida de uma pessoa absurdamente essencial pra minha vida. E é uma mudança que me deixa um bocado confusa: porque, ao mesmo tempo em que dói saber que aquele alguém que eu tanto amo vai mudar de estado e começar toda uma nova vida longe daqui, eu me sinto quase explodindo de orgulho ao ver minha melhor amiga ter a coragem de partir, com a cara e com a coragem, em busca de uma nova vida longe daqui. Ou seja, eu não faço o menor sentido, mas quem se importa?
Porque é fato que as mudanças, que me apavoram, me assustam e mexem comigo de formas inimagináveis, no fim das contas provam ser essenciais, importantes e maravilhosas... Então eu lido com meu conflito aqui, de cabeça erguida e com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, sabendo que futuramente, eu vou ser capaz de enxergar o quanto essa mudança foi mágica e necessária...
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Littlest Things by Lilly Allen
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